Escuta, alma querida, quando a prova te alcança e o sofrimento te golpeia a vida, impondo-te cansaço e insegurança;
Quando a aflição te cerca e te subjuga, portas a dentro de teu próprio ser, sem apelos à fuga em que te possas esconder.
Indagas, quase sempre, de ânimo frustrado revelando revolta amarga e triste:
- Se Deus é Amor Eterno e ilimitado por que razão a dor existe?
Por que ao sonho se seguem, com frequência, o fel, o desengano, a desventura que nos induzem a existência ao vasto espinheiral em que a nossa esperança se enclausura?
E guardando-te, a sós, sob angústia mortal, certas vezes, de anseio em desalinho, quererias fugir de teu próprio caminho…
Entretanto, alma boa, se algo te feriu, não te agastes, perdoa…
E, sobretudo, raciocina que a dor lembra o esmeril da Lei Divina que, em nos tocando, nos aperfeiçoa.
Tudo o que te garante o próprio alento passou por disciplina e sofrimento.
Sem que a ovelha aceitasse os golpes da tosquia, não terias a lã que te guarda o calor;
Sem que o minério padecesse um dia fogo abrasador, não dispunhas da casa, em fina arquitetura, sobre vigas leais de sólida estrutura;
Sem árvores tombando, a rude corte, não fruías na própria residência o ambiente ideal em que se te conforte a energia precisa às lutas da existência;
A dentes de serrote, a natureza formou, em teu auxílio, o refúgio da mesa;
E o trigo que passou pela trituração, em qualquer tempo, é a base de teu pão.
Não acuses a dor que te procura a fim de preparar-te a grandeza futura.
Sem ela que nos frena e regenera, estaríamos nós, provavelmente, na condição da fera sob a selvageria permanente.
Por fim, alma querida, considera:
De heróis que já tivemos, almas gigantes na sabedoria, corações a brilhar, nos ápices supremos da beleza imortal que se irradia dos tesouros do amor, de todos os apóstolos da História que apontaram a Vida Superior, de que o mundo conserva algum indício, aquele que nos deu, constantemente, o sentido da dor por fonte renascente, de ascensão e nobreza, vida e luz, com bases sobre o próprio sacrifício, esse herói foi Jesus.
(Maria Dolores)



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